Desertificação pode obrigar 50 milhões de pessoas a migrar (04/9/2007)
Fonte: Abin
A desertificação que afeta quase 25% do planeta Terra poderia provocar, na próxima década, a migração de 50 milhões de pessoas, e só pode ser evitada por meio de uma eficaz atuação de governos e da própria sociedade. Com esta perspectiva, começou ontem, em Madri, a 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (COP-8). O encontro debaterá e promoverá a Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação (CNULD), com participação de especialistas e delegados governamentais de 191 países.
A conferência, que termina no dia 14, procura fórmulas para diminuir o impacto desse fenômeno, que atinge um bilhão de pessoas e que leva a crises de fome, pobreza, migrações forçadas, guerras, degradação agrícola e incêndios florestais. O primeiro dia de debates serviu para que os participantes expressassem seus pontos de vista e assinassem a recente advertência da Universidade das Nações Unidas (UNU), afirmando que a desertificação é “o maior desafio ecológico de nosso tempo”.
Os especialistas também concordaram que a desertificação é um problema global, que vai além das considerações técnicas e ambientais, e que se transformou em um “desafio ético”, pois afeta os direitos fundamentais de milhões de pessoas. A África é o continente mais afetado pelos problemas decorrentes da desertificação. No entanto, as secas e os incêndios florestais que fizeram estragos no norte da costa do Mediterrâneo nos últimos anos provaram que os países industrializados também podem ser prejudicados.
A ministra do Meio Ambiente da Espanha, Cristina Narbona, eleita presidente da COP-8, disse que a crescente pobreza dos solos e a seca “afetam a todos”. Por isso, segundo ela, as nações ricas devem assumir que têm “uma responsabilidade maior que a dos demais países”.
“São os estados com autêntica capacidade executiva e financeira os que devem tomar a iniciativa para atenuar o drama humano que a desertificação acarreta”, acrescentou a ministra.
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