em 4 de maio de 2012
Por Roberto de Queiroz, Coordenador Pedagógico da Escola Municipal Assembleia de Deus, que edita o jornal Pequeno Escritor (cinco edições). Camela – Ipojuca – PE
As sequências didáticas do programa Jornal Escolar Primeiras Letras são escritas em linguagem simples e podem ser alinhadas aos eixos temáticos trabalhados em sala de aula. Elas giram em torno do estudo de gêneros textuais (contemplados nos eixos) e isso permite tal alinhamento.
Geralmente, as sequências didáticas são compostas de nove aulas. Da primeira à sétima, aborda-se o conceito de gênero e (na parte de revisão textual) o eixo análise linguística e reflexão sobre a língua. Quer dizer, os conceitos de cada gênero em particular (selecionados previamente) são vivenciados em sala de aula (na teoria e na prática) pelos estudantes no momento da produção (oral/escrita) e revisão dos textos das sequências.
Da oitava à nona sequência (com o jornal já impresso), retomam-se os conceitos de gênero e a revisão textual (o eixo análise linguística e reflexão sobre a língua), de modo que são revistas todas as seções do jornal. Inclusive são sugeridos novos títulos.
Enfim, o programa Jornal Escolar Primeiras Letras possibilita aos estudantes o contato direto com gêneros textuais diferentes (oralmente e por escrito), tornando possível, pois, a reflexão sobre a própria língua e sobre a função social de cada gênero (re)escrito / (re)lido em sala de aula.
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em 23 de janeiro de 2012
Quem trabalha com jornal escolar é frequentemente questionado: por que não fazer um blog, “que é mais atual”?
É, portanto, pertinente interrogar-se sobre as vantagens e exigências apresentadas tanto pelo blog como pelo jornal escolar.
As duas mídias trazem, do ponto de vista de um trabalho coerente, a questão do modo de produção dos textos, das ilustrações e da edição (a seleção do que será publicado), dentre outros assuntos. A escola e o professor podem ter uma atitude autoritária ou libertadora a esse respeito. Nesse sentido, o uso das novas tecnologias não é nenhuma panacéia: conhecemos experiências com blogs onde o copy-desk(*) e a edição pelo professor prevalecem, dando um verniz falsamente moderno ao autoritarismo tradicional. A “vigilância pedagógica” se impõe, portanto, tanto para os blogs como para o jornal escolar.
A grande vantagem do blog é permitir que os alunos realizem uma prática com novas tecnologias, desmitificando-as e preparando-se para um uso crítico da web. Blogs, porém, precisam ser alimentados permanentemente, para manter o interesse dos usuários (na terceira ou quarta vez que abrimos um blog não atualizado, deixamos de visitá-lo). Muitas escolas têm dificuldades em manter esse ritmo. O jornal escolar não tem esse problema, pois é um produto “fechado”, que já sai completo.
Outra vantagem do blog é a interatividade, desde que a escola permita aos leitores postarem livremente seus comentários. Essa possibilidade é bem mais limitada no jornal escolar, pois se realiza de uma edição para outra, através das cartas dos leitores.
O acesso aos blogs, porém, precisa da mediação de um kit tecnológico (computador e conexão com a internet) nem sempre disponível aos alunos e suas famílias. Requer, também (ou sobretudo), que o leitor tenha a intenção – combinação de lembrança e interesse – de abrir o blog. Neste ponto a vantagem é para o jornal escolar, que circula facilmente.
Sendo, assim, o jornal escolar parece bem mais recomendável para projetos de comunicação que apostem no contato com a comunidade escolar e o bairro. Já o blog é recomendável para projetos que buscam contatos com pessoas de outros municípios, estados ou países, às quais a escola não pode chegar pela distribuição do jornal.
Então, blog ou jornal? Qual é a melhor opção?
Talvez seja melhor recusar essas perguntas. Na história dos meios de comunicação, as novas tecnologias não eliminaram as preexistentes (com algumas poucas exceções): o rádio não eliminou a imprensa escrita, a televisão não eliminou o rádio, a internet não eliminou nenhum dos meios de comunicação anteriores. As sucessivas tecnologias trazem novas possibilidades; elas coabitam e se articulam com as já existentes.
Por que não pensar então no conjunto blog + jornal escolar?
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(*) Copy-desk. É a prática de revisão de textos para aprimorá-los no sentido desejado pelo revisor. No contexto escolar, produz frequentemente textos distanciados do que o aluno conseguiria fazer por conta própria.
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em 15 de junho de 2011
De: walkiria saade [mailto: retirado para manter privacidade]
Enviada em: quarta-feira, 7 de dezembro de 2011 10:02
Para: Impressao
Assunto: Re: Numero para rastreamento JORNAL
Bom dia!
Nosso dia começou muito bem com o recebimento do Jornal Fala Rodolfo.
Estamos super felizes por vocês terem contribuído na consolidação desse
projeto. Parabéns e obrigada pela notável parceria. A equipe do Programa
Mais Educação da Escola Rodolfo Hollenweger da cidade de Blumenau agradece.
Grata
Walkiria Maria Saade
Coordenadora do Programa Mais Educação
P.s: Seguem fotos para comprovar nossa alegria.

(nas fotos professores Eliete e Maicon, e aluno Willian)
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em 1 de abril de 2011
Avaliação realizada junto com os educadores da Paraíba que trabalham com jornal escolar, em 23 de fevereiro de 2011, trouxe a informação de que os alunos aproveitaram a sequência didática História de Vida – em princípio orientada para a coleta de relatos de terceiras pessoas – para contar suas próprios histórias, em registro autobiográfico. Muitos deles contaram histórias pessoais dolorosas, o que foi interpretado como uma libertação pelos professores presentes na avaliação. Essa apropriação inesperada ilustra o pensamento de Freinet:
As recentes pesquisas da psicanálise contribuíram para pôr em relevo os perigos que constituem para o indivíduo a incapacidade em que se encontra de exteriorizar os seus problemas.
Guardamos conosco segredos que nos obcecam e nos corroem porque suscitam complicações para as quais não conseguimos encontrar sozinhos a solução.
O simples fato de o indivíduo exteriorizar estes problemas, de os lançar no circuito coletivo e social, de esperar portanto soluções favoráveis, constitui uma descarga moral, ou melhor, uma descarga psíquica que nos permite reagir mais sensatamente (…).
A Escola habitual desinteressa-se disso totalmente, por princípio e até por técnica, podíamos dizer. Age como se a criança que acolhe fosse uma matéria nova, sobre cujos destinos às especulações da Escola pudessem prosseguir independentemente de todas as realidades prévias que a condicionam (…)
Mas os textos livres contar-nos-ão, abertamente ou não, a situação familiar dramática daquela criança (…). Esta revelação vai modificar profundamente – ainda bem, aliás – a situação escolar desta criança; serão estabelecidas novas pontes e abrir-se-ão vias novas à intercompreensão – tudo isto pode estar na origem de verdadeiras ressurreições.
(O Jornal Escolar, 1967, veja o texto Apresentando Freinet, na seção Conteúdos conceituais do menu Tudo para o jornal)
Você concorda com esta opinião de Freinet? Veja alguns dos textos publicados pelos jornais e escreva seu comentário.
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em 15 de março de 2011
Relato da professora Danielle Tavares
Escola Municipal Manoel Luiz Cavalcante Uchoa
Porto de Galinhas – Ipojuca/PE
Jornal Escolar A PORTA ABERTA DE PORTO

Os alunos da 4ª série (5º ano) tiveram contato com o gênero textual artigo de opinião, gênero este muito interessante para ser trabalhado, já que sabemos que muitos chegam as últimas séries do ensino médio sem saber argumentar.
Nas primeiras aulas da sequência didática proposta pelo Programa Primeiras Letras os alunos simularam um júri e se dividiram para dar opiniões, a favor ou contra, sobre o tema: “Criança tem opiniões?”. Após a dramatização, houve uma leitura bastante apreciada de artigos de opiniões escritos por crianças da mesma faixa etária em outras escolas. Os nossos alunos se identificaram e começaram a perceber como o ato de argumentar é necessário para a vida de qualquer cidadão e como a gente faz isso tão constantemente que, às vezes, nem percebemos.
Diante disso entenderam que criança também tem seus direitos e merecem ser ouvidas:
“A criança e o adolescente têm, muitas vezes, sido visto como um sujeito de necessidades e pouco se tem trabalhado, na prática, com a perspectiva da criança e do adolescente como sujeito de direitos e autor de si próprio, ou seja, capaz de atuar significativamente no campo social, dando suas opiniões e o que nesses últimos tempos já vem sendo colocado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente”. (ABRAMO, 2007, pág. 12)
Após essas discussões buscamos coletivamente temas polêmicos que fizessem parte do cotidiano. A merenda escolar foi um deles. Os alunos fizeram uma pesquisa na fila da merenda perguntando quem gostava ou não da merenda escolar. Com este material elaboramos um gráfico e diante dos resultados foram produzidos artigos de opinião. A pesquisa foi enfatizada como parte fundamental na produção de qualquer artigo de opinião.

Outro tema, também escolhido pelos alunos, foi o consumo e comércio de drogas nas comunidades. Vários relataram fatos interessantes e deram suas opiniões alertando sobre a necessidade da prevenção por parte dos pais e de todos na comunidade, para que as crianças não entrassem no comércio desses entorpecentes. No debate que se seguiu e no momento da produção textual, as professoras das 4ª desenvolveram juntamente com os alunos o respeito pelas opiniões contrárias as do autor.
O processo de reescrita ajudou-os nas dificuldades ortográficas já que, para uma publicação em um suporte de circulação, era preciso perceber a importância de não haver erros ortográficos. O vídeo disponibilizado pelo Programa, mostrando alunos relatando suas preocupações em escrever “certinho” serviu como estímulo para o grupo.
Referência da citação:
ABRAMO, H; SPOSITO, M. Juventude em Debate, São Paulo: Cortez , agosto 2007
em 1 de março de 2011
Meu nome é Cintia, estou vice-diretora na EMEIF Francis
ca Oriá Serpa, em Fortaleza, e acompanho o grupo de alunos que fazem parte do Programa Fala Escola. O nosso jornal chama-se Jornal da Comunidade. Entre as experiências desenvolvidas pelo programa, que tenho acompanhado, uma tem me chamado a atenção e me deixado muito contente.
Um ponto que é muito discutido com os alunos é o Código de Ética das publicações. Durante as reuniões de pauta é uma questão para a qual eles estão sempre muito atentos e isso tem refletido em outras áreas, como o respeito aos espaços da escola, ao material e principalmente às pessoas. Os alunos têm pensado na questão ética nas diversas situações de vida e isto é um ponto mais do que positivo, pois muitos projetos e atividades desenvolvidos pela escola podem contar com esse grupo que conseguiu ir além do objetivo especifico (o jornal escolar) diferenciando-se dos demais alunos.
Minha visão do Programa Fala Escola era apenas como um grande aliado para o letramento, mas descobri que esse programa vai além do cognitivo, para desenvolver o ser na sua criticidade, sociabilidade e humanidade. O programa conseguiu o objetivo educacional que é transformar conhecimentos em aprendizados que enriqueçam e transformem nossas vidas, nos fazendo pessoas melhores.
Essa experiência eu tenho vivenciado com o grupo que faz parte do Programa Fala Escola.
Maria da Conceição Almeida Ramos (Cintia)
em 25 de fevereiro de 2011
Pesquisadores de diversos campos e tendências têm constatado, ao longo dos últimos 40 ou 50 anos, que a escola tem cada vez menos influência na formação das novas gerações.
Essa situação decorre, basicamente, do crescimento dos meios de comunicação, a partir da divulgação massiva da televisão, tendência aprofundada hoje pela internet. Por esses dois canais, principalmente, uma multiplicidade de informações de sentidos opostos – valores positivos e negativos, situações sublimes e escabrosas – circula vertiginosamente.
Com essas mudanças, “a escola deixou de ser o único lugar de legitimação do saber, pois existe uma multiplicidade de saberes que circulam por outros canais e não pedem autorização à escola para se expandir socialmente. Essa diversificação e difusão do saber por fora da escola é um dos desafios mais fortes que o mundo da comunicação coloca ao sistema educativo” ¹.
Qual o papel da escola?
Existe um campo de reflexão pedagógica que se ocupa dessa questão: é a mídia educação, ou ainda educomunicação, educação para a comunicação ou educação pela comunicação. A enumeração dos nomes possíveis indica que é um campo em construção, aberto à experimentação e à criação. Propõe, em primeiro lugar, assumir que a relação da escola com o seu público nunca mais voltará a ser o que era, simplesmente porque as crianças e adolescentes mudaram pelo contato com os meios de comunicação. Em segundo lugar, propõe uma atitude desafiadora, integrando a escola ao mundo da comunicação; em lugar de negar a realidade, mergulhar nela…
A produção do jornal é uma estratégia nesse sentido. Ao publicar a criança entende espontaneamente que está participando do mundo da comunicação (sabe que outras pessoas vão ler o que escreveu). Cria-se, portanto, uma situação ideal – a experiência vivida – para o professor/a iniciar um processo ensino-aprendizagem sobre a responsabilidade de fazer comunicação, o pensamento sobre o outro que isso envolve, a necessidade de praticar o discernimento ético e moral ao escolher tal ou qual conteúdo, tal ou qual abordagem. Uma criança guiada adequadamente nesse momento tem condições de desenvolver sua autonomia perante o fluxo da comunicação, de ser um receptor crítico.
Em que medida, você professor, você professora, tem pensado em levar o mundo da comunicação para a sua sala de aula?
(¹) Jesus Martin Barbero, Jóvenes: comunicación e identidad. Revista digital de Cultura de la OEI.
Número 0 – fevereiro 2002 (em: www.oei.es/pensariberoamerica/ricOOaOO.htm).
em 15 de fevereiro de 2011
Um desafio posto aos educadores que trabalham com jornais escolares é a necessidade de que ele gere aprendizagens para um grande número de alunos, quando o espaço para divulgar produções é pequeno. A questão se apresenta de maneira ainda mais acentuada para quem trabalha com rádio ou vídeo, mídias mais restritivas no que diz respeito à participação.
Para responder a esse desafio, a metodologia empregada nos jornais escolares parte da produção individual de textos, aprimorados através da análise e da revisão entre alunos. Assim, o jornal traz benefícios para todos em termos de aprimoramento da capacidade de escrita, compreensão dos conteúdos, desenvolvimento do senso de aperfeiçoamento das produções e do espírito cooperativo, independentemente dos textos serem divulgados ou não.
A seleção dos textos que serão publicados, quando realizada pelos próprios alunos, traz outros desenvolvimentos: argumentação oral (para defender as preferências de cada um), senso avaliativo, valorização de práticas democráticas e mesmo capacidade para suportar eventuais frustrações, com base no reconhecimento da transparência do processo.
Outras recomendações:
- Os textos que não forem publicados no jornal podem ser valorizados em jornais murais.
- Neste portal estão disponibilizados modelos de jornais com estilos que permitem otimizar o aproveitamento do espaço, para publicar um maior número de textos.
- O serviço de impressão disponibilizado pelo Comunicação e Cultura permite publicar jornais com um número relativamente grande páginas. Faça simulações na seção Apoio Impressão.
em 1 de fevereiro de 2011
Jornal do Professor, publicação virtual do MEC, dedica edição ao jornal escolar. Clique aqui e acesse.

em 1 de fevereiro de 2011
Professores e professoras de Apiaí e Itaoca (SP), que avaliavam o processo de implantação do jornal nas escolas desses municípios, foram solicitados a relatar suas vivências e sentimentos.
Veja o resultado.
Jornal na escola hoje, cidadão consciente amanhã.
De início: medo.
Durante: expectativa.
Final: satisfação
Novidade, aflição, realização, colaboração e emoção.
Aprendendo, construindo e aprimorando para o futuro.
Encarar o novo é algo desafiador, e os desafios fazem parte da nossa vida.
O jornal escolar representou o diálogo imprescindível entre a escola e a comunidade.
Além de trabalhar com os saberes devemos possibilitar novas formas de comunicação com as pessoas e consigo mesmo.
A oportunidade de se colocar e mostrar-se capazes, deixando a marca no mundo e expressando valor na sociedade.
É gostoso construir o conhecimento sem medo de ser feliz.
A aprendizagem não acontece isoladamente, se faz necessária a interação com o outro.
A riqueza do trabalho coletivo torna a experiência com o jornal extremamente gratificante.
Através do trabalho em conjunto podemos perceber que podemos ir além do que pensamos ser nossos limites.
É a oportunidade de aprendizado e crescimento oferecida a todos os envolvidos.
Com persistência e dedicação alcançaremos nossos objetivos.
Quando se faz algo com prazer e dedicação, o retorno também será positivo e os objetivos serão alcançados.
O diferente também pode ser harmonioso.
Sinto-me realizada quando uma criança supera sua auto-estima.
Uma experiência construtiva, inovadora e muito gratificante.
Jornal escolar, uma sequência de agradáveis surpresas.
Jornal: um trabalho desafiador, mas muito prazeroso.
O projeto jornal foi um desafio; houve uma grande aprendizagem da parte de todos nós, tanto professores como alunos.
Foi um desafio enfrentar, compreender e aceitar as diferenças.
A educação tem raízes amargas, mas os frutos são doces.
Nós temos dois papéis: um nós podemos sentir o outro nós podemos tocar.
Jóia
Ótimo
Radiante
Novo
Apaixonante
Livre nas ideias, mas com muita responsabilidade.
O jornal foi um grande aprendizado.
Fevereiro 2011





