Quem trabalha com jornal escolar é frequentemente questionado: por que não fazer um blog, “que é mais atual”?

É, portanto, pertinente interrogar-se sobre as vantagens e exigências apresentadas tanto pelo blog como pelo jornal escolar.

As duas mídias trazem, do ponto de vista de um trabalho coerente, a questão do modo de produção dos textos, das ilustrações e da edição (a seleção do que será publicado), dentre outros assuntos. A escola e o professor podem ter uma atitude autoritária ou libertadora a esse respeito. Nesse sentido, o uso das novas tecnologias não é nenhuma panacéia: conhecemos experiências com blogs onde o copy-desk(*) e a edição pelo professor prevalecem, dando um verniz falsamente moderno ao autoritarismo tradicional. A “vigilância pedagógica” se impõe, portanto, tanto para os blogs como para o jornal escolar.

A grande vantagem do blog é permitir que os alunos realizem uma prática com novas tecnologias, desmitificando-as e preparando-se para um uso crítico da web. Blogs, porém, precisam ser alimentados permanentemente, para manter o interesse dos usuários (na terceira ou quarta vez que abrimos um blog não atualizado, deixamos de visitá-lo). Muitas escolas têm dificuldades em manter esse ritmo. O jornal escolar não tem esse problema, pois é um produto “fechado”, que já sai completo.

Outra vantagem do blog é a interatividade, desde que a escola permita aos leitores postarem livremente seus comentários. Essa possibilidade é bem mais limitada no jornal escolar, pois se realiza de uma edição para outra, através das cartas dos leitores.

O acesso aos blogs, porém, precisa da mediação de um kit tecnológico (computador e conexão com a internet) nem sempre disponível aos alunos e suas famílias. Requer, também (ou sobretudo), que o leitor tenha a intenção – combinação de lembrança e interesse – de abrir o blog. Neste ponto a vantagem é para o jornal escolar, que circula facilmente.

Sendo, assim, o jornal escolar parece bem mais recomendável para projetos de comunicação que apostem no contato com a comunidade escolar e o bairro. Já o blog é recomendável para projetos que buscam contatos com pessoas de outros municípios, estados ou países, às quais a escola não pode chegar pela distribuição do jornal.

Então, blog ou jornal? Qual é a melhor opção?

Talvez seja melhor recusar essas perguntas. Na história dos meios de comunicação, as novas tecnologias não eliminaram as preexistentes (com algumas poucas exceções): o rádio não eliminou a imprensa escrita, a televisão não eliminou o rádio, a internet não eliminou nenhum dos meios de comunicação anteriores. As sucessivas tecnologias trazem novas possibilidades; elas coabitam e se articulam com as já existentes.

Por que não pensar então no conjunto blog + jornal escolar?

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(*) Copy-desk. É a prática de revisão de textos para aprimorá-los no sentido desejado pelo revisor. No contexto escolar, produz frequentemente textos distanciados do que o aluno conseguiria fazer por conta própria.

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